terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Recordações do passado, vividas no presente

Não posso precisar ao certo quando foram uma das grandes cheias do Rio Douro nas cidades do Porto e Gaia, que eu registei numa velha Agfa 6x9 do meu pai e cujo rolo dava para 8 ou 9 fotos. Já não lembro. Mas creio que foram no ano de 1963 ou 64. Em Fevereiro. Portanto há mais de 45 anos. Se estou enganado, que me corrijam. Se estou certo, agradeço que o façam, pois gostaria de registar a data correcta.
No interior dos Arcos da Ribeira, numa daquelas ruas de que nunca sei o nome, mas creio que é a dos Canastreiros, existe um comércio que à porta tem registadas todas as grandes cheias, com a data e a altura até onde chegaram as águas do Douro. Tenho no arquivo a foto, mas não consegui encontrá-la.
Pois bem, há uns dias, aproveitando uma acalmia no tempo que vem fustigando a cidade, resolvi refazer o trajecto que na altura presumo ter feito, para comparar como estão as duas margens do Douro. Aqui vos deixo os registos fotográficas das duas épocas, embora nas antigas estejam bem marcadas as cheias e noutras o Rio Douro quási normal. É que as barragens entretanto feitas, controlam as suas águas.
Um facto a reter: a velha Agfa tinha uma objectiva com um zoom bem curioso, fàcilmente notando-se as diferenças. Para os leigos da fotografia, essa máquina apenas regulava as distâncias, por exemplo: de 1,5 a 3 m; 5 a 7 m; infinito. E as aberturas da lente eram reguladas para sombra, sol encoberto, ou sol pleno. Isto em três símbolos. As fotos em papel foram digitalizadas pelo meu amigo Manuel Carmelita a partir das provas 6x9 cm. e lògicamente que perderam nitidez. Mas devo dizer que os originais são de uma nitidez muito grande, bem revelados e fixados, e que ao longo destes anos não perderam a sua qualidade no papel. Hoje temos as digitais, a cor, os photoshops (que não gosto de utilizar), embora faça algumas correcções a partir do Picasa2 ou da Galeria do Windows. Especialmente o "endireitar". Simples e barato.
Pois então vamos ao percurso que provàvelmente fiz na altura. Devo ter subido a Avenida da Ponte, conforme lhe chamávamos na altura, hoje é a Avenida Saraiva de Carvalho. Presumo eu que ainda assim se chama... Passei ao lado da Sé e entrei directamente no tabuleiro superior da Ponte Luíz I. A imagem é a da Avenida Gustavo Eiffel, com a Ponte D. Maria ao fundo. Na foto recente há umas ligeiras diferenças de local, pois o percurso não foi o mesmo, já que nos dias de hoje não tenho coragem de atravessar o tabuleiro. Por isso utilizei o metro e o funicular. Modernices... E nem mais um passo...Por baixo, os Guindais. Claro que há agora a Ponte do Infante a obstruir, visualmente, a de D. Maria. Mas ela ainda lá está e renovada desde há dias. E linda como sempre.

Já do lado de Gaia (ido de metro, claro), voltei-me para os Guindais e Fontaínhas. Lado direito da Ponte. Nos tempos antigos, não se vê a sombra do tabuleiro. Mas fiz a foto de tarde, isso tenho a certeza. E porque tenho a certeza ? Porque de manhã gostava muito da cama. Como ainda hoje. De qualquer forma podem-se notar as sombras, de poente para nascente.
Estas comparações também mostram que a cidade evoluiu em termos ambientais. Um dos muitos ribeiros que vinham desaguar ao rio com os esgotos, já não existem. As etares tratam do assunto.
Do outro lado, à esquerda da Ponte, logo abaixo do Jardim do Morro, vê-se comparativamente, como o Cais da Ribeira está submerso. E os batelões ainda aqui vinham fazer as suas descargas de mercadorias.
Lá do Jardim do Morro, o percurso para descer até ao início do Cais de Gaia teria duas hipóteses. Como hoje. Não sei qual adoptei na altura, mas agora desci pelo lado da Serra do Pilar, isto é, pela direita da Ponte.
A velha árvore lá está, aguentando todas as cheias e vendo a evolução do Cais, hoje um belo passeio pedestre, onde se pode comer ou apenas beber um copo, olhando o Porto em frente.
Voltando a atravessar o rio por baixo (nossa forma de expressão quando regressamos, ao Porto ou a Gaia, pelo tabuleiro inferior da Ponte Luíz I), uma foto mais próxima da Ribeira. Por Cima do Muro, estão ali casas novas, que nem eu sabia que existiam há 40 e muitos anos. Quer dizer, reconstruiu-se e modernizou-se (?) e muito bem, toda esta zona, onde até há um Hotel de 5 *****. Para além dos restaurantes e bares, também as tascas ainda lá estão, onde as célebres "iscas" da Ribeira não perderam a fama.
Já do lado do Porto e em cima das Escadas do Codeçal, volto a recordar a Gustavo Eiffel, partindo desde a Ponte D. Luíz até ao Freixo, mas agora passando por baixo de quatro pontes e não uma apenas conforme era naquele tempo.
Nota-se novamente o zoom da velha Agfa. Parece que a Capela do Senhor de Além estava logo ali.
Pela escarpa da Serra, vêm-se agora as inúmeras habitações, que de clandestinas passaram a legais. E a própria escarpa está também protegida. Polémicas para trás e para a frente, mas os inteligentes lá se entenderam. Espero eu, que para sempre, pois senão haverá tragédias.

















quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fui à Feira a Gondomar

Já tinha saudades de uma passeata por uma boa Feira, onde de tudo se vende. O tempo tem estado bom, de sol que não de frio, mas este não conta para baixar a moral.
Mas logo vejo uma beleza com a cabeçorra enfiada entre as grades. O bicho, ou bicha, quando me aproximei nem se mexia. Fiquei a pensar que não conseguia sair de lá. Toquei à campaínha para chamar a atenção dos patrões, mas ainda bem que ninguém atendeu. O animal salta-se de lá com um vozeirão próprio de cão macho (?), que se eu fosse homem de sustos, caía para o lado. Palavra vai, ladrar vem, combinamos uma pose para contar a estória. E para comparar a largura das grades com a sua excelentíssima cabeça, ele (ou ela) abriu só um pouquinho a boca num sorriso também para mostrar que estomatològicamente falando, anda bem tratado(a).
Recomposto, prosseguindo, vou dar ao Chafariz do Largo do Souto. Com o sol em contra-luz, fiz um boneco só para ver no que dava. Portuensemente falando, deveria dizer o que deu, mas poderia ferir susceptibilidades mais frágeis. Fica ao paladar de cada um (ou uma), achar o que acha.
Antes que esqueça. Francamente, agora tenho medo de escrever. Com o novo acordo ortográfico, onde se retiraram letrinhas a palavras, bem como acentos, já não sei o que deva usar para exprimir o meu pensamento. Mas se entretanto os meus queridos leitores e leitoras acharem por aí uns errositos é só avisar. É que o corrector (outra palavra complicada que não sei se leva o c ou não) ortográfico cá desta coisa, não funciona à maneira. Mas como se pode sempre editar, não há problema de maior.
Acompanhem-me então pela Feira.
E nada como um conjunto de belas cores a abrir. Com o magnífico tom de azul do céu em fundo (redundância, pois não há cor de céu vermelho nem verde) o contraste é flagrante. Lindíssimo.
Uma passagem para apreciar os últimos modelos na Boutique do Alex. É LOVE por todos os lados. Começamos logo a imaginar coisas que não ficam bem numa Feira.
Mas este modelo prendeu-me as atenções. Fiquei parado a admirá-lo e logo Madame Alex veio de lá com o seu belo sorriso, perguntar se me servia. Fiquei sem fala e arranquei a grande velocidade, mesmo sem me despedir com o característico beija-mão. Espero que Madame não tenha rogado alguma coisa que me faça tropeçar no próximo cruzamento.
Aqui sim, é o meu local preferido desde há uns anitos. Páro, olho, reolho (será que existe esta palavra ?), cheiro... Sai um quarto de presunto de Lamego, que tem um kg bem pesado e um queijinho da Serra, dos pequenos, com 800 grs. Tudo por 17,70 euros, mas para mim que sou cliente vá lá, fica pelos 17,50. Bem quis que ela, a loirinha, velha conhecida, deixasse pelos 17, mas não foi em cantigas. Tira lá a foto e põem-te a penantes. Dá de frosques.
Lá voltei para a confusão dos produtos de ocasião, que sim senhores, fazem uma bela montra colorida. E tudo a 3 euros. Meninas, é pegar e andar, a caixa é logo ali.
Um olhar pelas plantas de jardim, onde uma bela camélia dá um toque senhoril. Ou não fosse a flor Portuense por excelência. Quem o diz são os Alléns e eu acredito porque andam no meio delas e com elas ao colo, há quási dois séculos.
Por falar nisso, tenho-me esquecido de fotografar as minhas, que estão lindas e carregadas. Amanhã, que já é hoje, será dia para isso, pois agora não dá. Passa da meia-noite, hora do Porto.
Neste lindo viveiro, belos mimos estão a ser transaccionados (mais um c que não sei se ainda se usa). Canteiros graciosos, coloridos, vão florir em breve. Primavera à vista...
Reflectir (cá está o c ) é bom. Mais um boneco só para ver o que dá. Maluqueiras...
Um olhar descontraído à arquitectura (outro c) gondomarense. Quási simétrico este conjunto. Foi mesmo ao calhas, até porque o passeio destinado aos peões é tão pequenino na sua largura, que não dá para paragens prolongadas e acertar cor, profundidades, enquadramentos. Sabem a que me quero referir...
Já fim de tarde, com o frio a apertar, segui a Lua que estava a aparecer. Já está cheia. Amanhã vai poesar só para mim.
Ela aqui aprisionada. Mas soltou-se rápido e sem ajuda. É assim a Lua. E luar de Janeiro, não tem parceiro. Mas os invejosos dizem, mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto. Sabedorias populares, que se ensinavam não só em casa como também na escola dos nossos verdes anos.
A ver vamos.












sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nha Bolanha

Saudades
Vídeo do meu amigo Jorge Felix e dos seus tempos voadores

Douro Vinhateiro - She

A minha homenagem a essa bela terra que mal conheço e que é o Douro.
Com um abraço para o Zé Manel

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

8/9 de Janeiro - Fim de semana como deve ser

Fim de semana prometido sem chuva. E São Pedro cumpriu. Isto é o que considero um bom amigo. A sexta-feira foi só encoberta com umas nuvens mixurucas que o Bando aproveitou para andar à solta. Do Cifrão para o Guedes, entre uma aguardente mais ou menos velha e uns copos de tinto de Lamego acompanhando um belo lombo assado, lá andei - andamos - pelas capelinhas, onde o frio de raxar esperava na rua. Nada que não se suportasse, principalmente depois do buxo quente. O sábado nasceu lindo, mas só o vi muito adiantado na manhã. Ainda deu para notar no meu mini-jardim uns resquícios de neve, coisa que é digna de registo. Meti pés ao caminho para ir ter com a camaradagem de outras guerras, que no Choupal esperavam o toque do rancho.
Mas dá sempre tempo para uma paragem e ver como as obras do Metro do ramal de Gondomar andam. Daqui a um ano, dará para um filme complexo e abstracto realizado pelo Manuel Oliveira e que servirá para comemorar os 102 anos do autor. Por falar no homem, há dias cruzei-me com ele entre o Bonjardim e a Praça D. João I e o safado não trazia a bengala e corria para atravessar a rua no sentido da Caixa Geral de Depósitos,trazeiras. (ou seria no sentido do Rivoli ?) Bom, mas para o caso não interessa nada. Só eu sei porque não corro, mas ele sabe porque corre...
Seguindo,

Em frente do local de encontro, o tal Choupal que agora também é dos Melros, fui espreitar uma ribeira que corre emparedada entre a rua e os campos. No verão tem água, e no inverno também, como é lógico. Mas derivado à agua que tem caído desses céus - Dezembro foi o mês mais chuvoso dos últimos 100 anos, segundo rezam as crónicas - julguei que traria mais. Nada de especial.

Porque houve mais melros do que o previsto, o "tacho" demorou um pouquinho, para mudança de poiso. Nada que atrapalhasse este pessoal, já habituado de há mangas de chuvas a esperar... Mas isso são outras estórias da história Pátria. De que muitos falam mas da qual pouco sabem.

Aproveitou-se para esticar as pernas e apanhar um sol que estava magnífico. E andar pela quinta, que mesmo neste tempo tem o seu encanto
Os choupos estão de folha caída, mas lá para o verão, verão como a coisa muda. Prometo uma reportagem em grande. Espero que o Gil contribua com algum, pois não sou de capinar sentado. Mas isso serão contas de outro rosário.

Entrando na bela sala, onde uma lareira "medieval" tem uns tronquitos a arder, o suficiente para aquecer q.b (quanto baste, sigla dos mestres cucas), fico por ali a rever os camaradas, uns já velhos de tantas guerras, outros ainda com a plumagem a mostrar-se.
A sala é bonita mesmo, toda em pedra, adaptada das antigas instalações da quinta. Aliás sucede assim por toda a herdade. O convívio torna-se agradável, a conversa amena, talvez aqui e ali recordando-se passados que doeram e ninguem quer esquecer. Em primeiro plano o Martins velho e o Carlos Costa, artistas do Fado, este último prisioneiro na Índia, mas com grandes estórias que nos deleita quando as conta.

As petisqueiras foram-se sucedendo e nada como umas boas tripas como prato forte. Não serão à moda antiga, quando a plebe portuense doou toda a carne para as frotas do Infante D. Henrique e apenas ficou com as vísceras. Agora são prato de rei, incluindo presunto, frango, diversas e saborosas qualidades de chouriços e claro, uns feijões brancos porque o pessoal nunca se habituou só à carne. Para um cheirinho especial, a salsa e uns cominhos são indispensáveis. E um belo arroz dourado nunca se despresa.
Acontece que a seguir tive dois convites. Um concerto em Grijó pelo grupo de fados de Coimbra, dos meus amigos David Guimarães e Carlos Costa, e um outro para o retiro do Restaurante S. João, onde o Fado Amador, ou Vadio, é rei. Aceitei este último, porque bem mais próximo de casa, porque o frio me assusta, porque, porque...

...Porque aconteceu os Manos Martins me terem entusiasmado. O tempo é por demais bem empregue. E um bom Fado de Coimbra é sempre ouvido com prazer. Tive o gosto de conhecer o José de Castro, bela voz. E que maluqueira me deu... Liguei o telemóvel para o David e pu-lo a escutar o José. Logo recebi a resposta, traz o contacto. Quando se chega a uma certa idade, parece que voltamos a meninos.
Vários e várias artistas cantaram e bem o fado tradicional. Há quem o chame de Lisboa, mas para mim o Fado é Fado.
Mas houve algo que me fez ficar alerta, como no tempo em que ouvia um trovejar e ficava a contar os segundos até à explosão. Soou-me o nome do camarigo Mexia Alves e há que averiguar o porquê. Apenas e só, porque o seu Fado Montemor de Praça Cheia estava em disputa. Pena que não fosse cantado, vá lá eu saber o porquê. Mas o meu amigo pode ter a certeza, mesmo tendo o seu fado sido "roubado" por profissionais, aqui no Porto, ou melhor dizendo, em Gondomar, é sentido e conhecido por esta malta do Vadio.

Tenho de apresentar os meus ex-camaradas, os Martins. O mais novo, cantor e de bela voz, foi para a Guiné já eu tinha regressado há muito. O mais velho, o guitarrista (primeiro da esquerda), aconteceu precisamente o contrário. Curioso, ambos são Bombeiros, o mais velho de Gondomar e o mais novo de S. Pedro da Cova. Coisas da vida.

Para a noite acabar em beleza, o grupo da Lagoa veio cantar as Janeiras. Que mais podemos desejar depois de belos convívios, óptimas comidas e bons fados ? Apenas noites de bom sono. Foi o que aconteceu comigo no fim de semana passado. Com a temperatura a menos de 3 graus.
Amanhã há mais. Tabanca de Matosinhos, Bando do Café Progresso e o que mais se verá.

















quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Divagando

Hoje, que foi ontem, andei por matos de comezainas, como me é normal às quartas-feiras.
Chuva de manhã�, muito cinzento à tarde.
Nos para lá e para cá, há sempre qualquer coisita no caminho que chama a atenção. Foto feita, lembrança para um amigo. que vamos descobrindo atravez de letras seguidas, sem sabermos se chegam ao destino, pois um apagão pode destruir meia dúzia de minutos de boa prosa escrita.
Acho que ando a escrever num estilo esquisito, que não deveria ser o meu. Tento corrigir, mas por vezes já nem dou fé. A culpa deve ser da aculturação, palavrão que não sei o que é, mas ouço muito por aí.
Quer dizer que as minhas cumplicidades maiores são duas: Nesta coisa de net, o Brasil é maioral, com as suas diferentes misturas linguísticas, mas doces, fraternas, que me levam a mudar gramaticalmente o português perfeito.
A outra, é a vivência permanente com ex-camaradas, que após tantos anos, ainda não esquecemos a tropa, nem África, nem a solidão, onde as palavras e suas definições não contavam para nada. Essa rusticidade linguística ainda hoje é nossa. Nem sabemos o que "dizemos" mas sabemos o que queremos dizer. E entendemo-nos.
Um dia destes, alguém tomava apontamentos no meio de uma confusão verbal. Disse-me que estava a criar um pequeno prontuário da "Linguagem do homem que foi militar em África. 40 anos o após". Lindo.
Como provàvelmente diriam o Eça ou o Camilo, se tivessem permanecido uma semana no Brasil, a prosa é boa mas está longa. (Onde já ouvi isto ?)

Porto. Avenida Rodrigues de Freitas e as suas árvores. Soberbas no verão. Parecem tristes no Inverno. Mas é engano. Estão a recuperar.


Uma montra de florista. Um gracinha

domingo, 15 de novembro de 2009

11 de Novembro - S. Martinho

Domingo tempestuoso, bom para ficar em casa e recordar a semana. Então há que recuar até ao Dia de S. Martinho e lembrar os belos momentos de confraternizão passados junto a amigos, na companhia de deliciosas castanhas e de um bom vinho. Para que a tradição nao se perca. Coisa de velhos

A parte da tarde começou no Café Progresso, onde pacientemente esperamos que algum ex-camarada dos nossos velhos tempos militares, das Caldas até à Guiné, apareça. Reunião habitual em todas as segundas terças-feiras de cada mês. As castanhas vieram camufladas da Tabanca de Matosinhos, local de encontro de outros ex-camaradas, mas aqui todas as quartas-feiras.

Seguiu-se depois o trajecto por outras picadas e fomos dar ao Rei dos Cachorros, não só para matar os desejos do Moreira como para manter a tradição da visita às capelinhas. As capelinhas já não são o que eram, mas para o efeito serviu. Por esta altura o Dias já tinha desertado. Mas paciência. Lá mais para a frente, seguimos em romagem até ao Abreu, que nos deu a provar um tinto verde novo, que daqui a dois meses deve ser de fazer cair para o lado. Não sem antes termos embutido uns pregos especiais, desejos do Bioxene, que isto de comer só castanhas não enche a mula.A noite estava quási no fim, e para a posteridade fica registado que estávamos todos lúcidos e nada etílicos, salvo seja.As fotos n�o entraram na ordem como deveria ser, coisa que não sei explicar o porquê, mas aqui começou o início do dia de S. Martinho. Na famosa sala do Milho-Rei, onde a Tabanca de Matosinhos confraterniza todas as quartas-feiras. Estavam 50 seguidores deste Santo tão geitoso de comes e bebes.

Por curiosidade apenas, aqui fica mostrada a obra-prima de um artista, complementada com uma aguardente velha de Vinho do Porto. Tudo obras de ex-camaradas. Para leiloar em breve.

E porque hoje é domingo sem futebol, vou beber uns púcaros não sem antes mandar esta cena para os amigos que estão todos chateados lá em casa sem ter nada que fazer.

Até breve. E não se esqueçam: S. Martinho é sempre que um homem - e mulher - quiserem

terça-feira, 3 de novembro de 2009

50 anos

Depende da maneira como quizermos ver as coisas. Ou foi h� muito tempo, ou parece que foi ontem. 50 anos s�o 50 anos. Quando entrei pela primeira vez no meu primeiro emprego. Tinha ainda 13 anos mas nesses tempos j� era considerado "grande" um jovem da minha idade. Foi a 3 de Novembro de h� 50 anos. Respondi pessoalmente a um an�ncio do Jornal de Not�cias �s 10 horas da manh� e fui admitido, tendo de me apresentar �s 14. Bendita a hora. Entrei para uma empresa que tinha "pouco" mais de 50 empregados. Fui tudo ali dentro. Carrej�o, servente, arquivista, dactil�grafo,respons�vel por expedi��es de mercadorias, respons�vel por pessoal - j� haviam mais de 70 empregados - adjunto, confidente de patr�es e de pessoal, desenrascador... at� aos meus 22 anos e pouco. A� parei e "fui" para a tropa e para �frica. Durante 3 anos. Quando regressei, em Abril de 1970, esgrouviado, intempestivo, malcriado, (em termos civis, porque militarmente eram normais), semi-analfabeto, l� estava o meu lugar. Acabei de me formar como homem e profissional nessa Empresa, uma das maiores do Pa�s e n�o s� no seu sector ( industria gr�fica e chamava-se Artistas Reunidos) e que chegou a ter mais de 250 trabalhadores. Acabei por sair da empresa ao fim de 19 anos para tentar outros voos. Era j� o n� 12 em antiguidade. Infelizmente a Empresa j� n�o existe, nem os seus saudosos fundadores - mais que patr�es, qu�si pais para mim - nem os seus dois mais directos colaboradores administrativos - mais colegas e professores do que chef�es -. As saudades s�o muitas dos "velhos" que conheci menino e que j� se foram: O Afonso que me intruduziu nos segredos da industria e da pesca; O Stockler que me ensinava psicologia; O Xico Bernardo que encadernava os meus livros e com quem passava horas a falar de escritores e de alguma pol�tica; O Sr. Rui desenhador, senhor j� com uma certa idade, o seu eterno la�o bem posto no pesco�o e colarinho da camisa, dava-me conselhos para tirar as espinhas - uma punheta bem feita, aproveir o l�quido e esfregar na cara, era rem�dio santo. O Ant�nio Sousa e as suas demonstra��es de como se imprimia numa maquina manual sem as m�o ficarem l�. O sr Bernardino, com quem partilhei entregas de encomendas nos recoveiros ali na Rua da Madeira, transportadas aos ombros ou �s costas; E quantas vezes no regresso carregamos novamente �s costas, desde o madeireiro da Travessa dos Congregados at� ao cimo da Rua do Almada, caixotes destinados aos A�ores e Madeira carregados de postais ilustrados para os turistas comprarem de recorda��o (Ah os grandes editores, senhores N�bregas e Perestrellos) . Mas logo al�, nos Congregados ou na rua da Madeira, o Sr. Bernmardino me pagava um copo e uma sande ou uma posta de s�vel. Mas tantos outros j� se foram, gente boa e grandes artistas a quem muito fiquei a dever. Felizmente ainda h� muitos por c�. E quem passou por essa Empresa nunca mais esqueceu. Nem os velhos patr�es, nem as suas filhas felizmente ainda vivas, nem a camaradagem dos bons e maus tempos, porque ou houve e n�o foram pequenos. Mas ficou a amizade e a minha lembran�a de quando mecei a trabalhar. H� precisamente 50 anos.

Conv�vio anual. Quem trabalhou e viveu naquela empresa nunca mais esquece.

O Senhor Fernando Silva, com 80 e muitos anos, foi o �ltimo trabalhador a sair da empresa. Ao lado, o Germano, o Brecas, que foi meu s�cio e � grande amigo. Muito me ensinaram n�o s� da vida como sobre a industria. Muitas lutas passamos juntos.

Mais de 100 ex colegas estivemos no �ltimo conv�vio em Junho. Tantas saudades

domingo, 1 de novembro de 2009

Porto Cartoon


É um Festival de Cartoon que se realiza na cidade do Porto - A Minha Cidade - desde 1999, com um tema específico em cada ano. Reune Cartoonistas de todo o Mundo com milhares de Cartoons em exposição permanente, no Museu Nacional de Artes Gráficas, ali ao Freixo, bem junto ao Rio Douro e no limite com a cidade de Gondomar.

Porto, Capital do Cartoon, foi proclamada em 23 de Junho de 2008 em 10 linguas e pela voz de figuras internacionais do humor em cartoon.

Um prazer para quem aprecia artes gráficas, o desenho e o humor num cartoon.

No mínimo, uma visita aos sites já nos deixa deslumbrados.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Os Velhos e a Tropa

Tropa, quer dizer Forças Armadas Portuguesas.
E cada vez me repugna mais dizer ou escrever estas palavras "Forças Armadas Portuguesas" ou a sua sigla "FAP".
Desde a criação de uma lei em Fevereiro de 2002 de uma pensão para antigos combatentes, de que só alguns tiveram conhecimento e de como dela se poderia auferir, até à Lei publicada em 2009, fica demonstrado como os Presidentes da República, que aprovam as leis do País, os governantes que fazem as leis bem como os deputados da Assembleia da República, tratam a "escória" dos militares que em nome da Pátria una e indivisível, foram forçados como presidiários a cumprir pena no degredo em África, desde 1961 a 1974, por períodos de dois anos, uns, pouco menos, outros um pouco mais.
Já somos poucos os sobreviventes desse tempo. Dizem-me que cerca de 300.000. Muitos com diversos problemas de saúde. Mas esperam os nossos queridos governantes que nos despachemos depressa para o outro mundo, pois aqui já andamos a mais.
Bem isto ao caso por mais uma vergonhosa afronta ( como se diz em alguns partidos tipo PCP e satélites, também eles metidos nesta estória ) que esses chamados governantes - Presidente da República, Governo, Deputados - infligiram à atrás dita "escória" negreira de terras de África. Refiro-me à tal pensão generosa, que inicialmente recebiam alguns de nós. Cerca de 120 euros ANUAIS. Com o tempo foi-se actualizando essa esmola. Para alguns, como disse, pois a maior parte perdeu automàticamente esse direito. Ou por desconhecimento da Lei, como terá sido o meu caso, segundo me foi dito, ou por que não sei... Acho que a partir de certa altura deixou de ter validade a Lei.
Não fazendo deste caso, um assunto individual - que o não é pois há camaradas que são tão ignorantes como eu e portanto não recebem esta "misericordiosa" pensão - a nova lei, a tal de 2009, veio pôr os pontos nos iiiisss. Isto é, reveram a lei de 2002, cheia de incongruências, segundo disseram, e toca de "gamar" uns euros, que nalguns casos é superior a 40%. Quer dizer que há pessoal a receber menos de 100 euros ANUAIS.
Se meter os papeis pela terceira vez e me for considerada a esmola, parece que receberei cerca de 130 euros ANUAIS. Não sei se estarei cá se isso acontecer. Mas agora vou mesmo chatear e prometo encher as caixas do correio desses Ministérios e dos Serviços das Forças Armadas e de Ligas militares - mesmo as não controladas governamente - e Segurança Social, enfim tudo que for sítio onde recebam correio electrónico. Vão todos gozar com a pqp. E deixem os "velhos" em paz de uma vez.
Só de passagem: Alguém ouviu ou leu a comunicação social, comentaristas, partidos, referir-se a este tema ?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Confraternização de antigos militares da Guiné

O 5 de Outubro amanheceu triste e chuvoso, como manda o Outono. O Carlos Silva e o Carvalho de Medas organizaram este encontro-confraternização da malta de Gondomar que andou pelas bolanhas da Guiné nos anos 60/70 do século passado. Mas dizer que era só para a malta da Guiné e de Gondomar não seria bem, pois estava aberto a todos os camaradas que aparecessem. De outras guerras e de outros concelhos.
O local foi em Santa Eulália, junto ao Soldado, assim conhecido desde 1971. Lá está o memorial.O pessoal foi chegando, demos um abraço a quem há muito tempo não víamos,
mas também ficamos a conhecer novos camaradas.
Alguns até vizinhos, que nem sabíamos que andaram quási pelo nosso sítio,
lá em terras Guineenses.
O Carlos deixou umas palavras, que ouvimos sentidos,
relembrando quem por lá ficou.
São sempre momentos que marcam a rapaziada,
embora tenham passado já dezenas de anos.
Os "velhinhos" das bolanhas, que nos representaram a todos. Bom, mas a vida e o dia têm de continuar.
O Carvalho espera-nos em Medas, a sua terra.
Azimutado o caminho,
temo-nos de reunir junto à Foz do Sousa para sair em "coluna".
Aproveito para deitar um olhar ao rio Douro e ao seu afluente Sousa,

que aqui deposita as suas águas.
E à gente que trabalha no seu quinteiro,
não querendo saber do feriado para nada.

Enquanto esperamos uns pelos outros, dois dedos de conversa.
O tenor Carlos Costa, prisioneiro na Índia e o Carmelita, vão palavreando. Lá ao fundo, o Soares e o Barbosa destacam-se...
Entrando na ruralidade de Medas.
Os frutos da terra já estão apanhados e guardados.
Cá estamos nós à espera da promessa do Carvalho.
Uma churrascada de Porco. Venha ele.

Lindo naquela brasa. Mas há que esperar um pouco mais.
Ainda não está no ponto.
Chegou a hora. Vamos a ele pessoal.
E o Carvalho dá o exemplo.
O bicho vai ficando dizimado, e há quem aprecie a arte do "desmancho"
Entretanto o pessoal lá vai tagarelando.
Mas em simultâneo mete uma bucha e bebe mais um copo.

E o bichinho lá se vai sumindo...
A chuva quis estragar a festa, mas o pessoal enfiou-se logo no "abrigo".
Mas foi só para brincar com a gente aquele chuvinha de nada. E voltou tudo ao ataque...
...E o inimigo ficou neste estado...

E pronto. Só falta despedirmo-nos até uma nova ocasião. O meu muito obrigado ao Carlos e ao Carvalho por terem proporcionado esta bela confraternização.