quinta-feira, 1 de maio de 2014

62 - Nunca é tarde

O meu médico.

A avó materna, galega e católica da cabeça aos pés, queria que fosse padre. Ele queria emigrar. Para os Estados Unidos. No fim, nem uma coisa, nem outra. O pai, bancário, começaria a ganhar melhor e Maximino Cunha haveria de rumar de Chaves para Coimbra e, depois, para Lisboa. E assim se faria médico. E comunista.
A opção política condicionou--lhe a progressão na carreira. "Antes do 25 de Abril, nunca pude aceder a nenhum lugar do Estado", recorda. Mas haveria também de marcar a forma de exercer a profissão. Já doutor, regressou a Chaves por castigo (político). "Julgo que não sabiam que me estavam a mandar para a minha terra natal".
Nessa altura, depois do serviço clínico no quartel, Maximino Cunha exercia Medicina privada. Muitas vezes sem cobrar. "Sabia perfeitamente que não tinham dinheiro para me pagar. Ah, quantas vezes!", lembra. E justifica: "Se não fosse sensível à pobreza não seria comunista". Hoje, garante que este tipo de casos são cada vez mais raros, mas teme que a crise os possa fazer renascer. "Provavelmente vão aparecer por causa do desemprego e da crise ".
O consultório, em casa, não está identificado. "A publicidade são os doentes que a fazem". Não tem computador. Olha para os doentes. A tabela de preços, no corredor, está em euros e escudos. 40 (8 contos) na primeira consulta e 30 na segunda e seguintes. João Semana puro, talvez não, mas com uma costela, certamente.
(in Jornal de Notícias edição de 7.2.2010)
Já por aqui me referi ao meu problema de saúde nos finais do ano de 1969 e ao médico que me tratou e quis evacuar desde a Guiné até às origens do Portugal Metrópole.
Depois daquele mês e meio que tive de contacto com ele, nunca mais o vi.
Há cerca de 15 dias vi uma reportagem do ex-camarada Albino Silva em http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/ e vi a foto que publicou. Era ele, o meu médico.
Relembrando o texto que se escrevi no mesmo espaço:

(...) Como andava a sentir-me mal do estômago e aproveitando a estadia, pedi uma consulta médica. Não demorou muito tempo a ser atendido pelo Dr. Maximino Cunha (agradeço ao Albino Silva ter-me informado do nome do médico) que era do meu tempo, incorporado no Batalhão de Chaves. Não sei qual era, mas sei que era também o dos meus amigos Cancela e Mano Velho Carvalho. Só há pouco mais de quatro anos conheci estes bronqueiros.

Disse-me o médico para esquecer o estômago e irmos ver os pulmões. Mas isso só com internamento. Imaginem como fiquei. 

 (…) Finalmente consegui uma vaga na primeira enfermaria do lado esquerdo, com varanda e tudo.

A próxima consulta foi ainda com o Doutor Maximino - que acabou por ser o meu médico até ao fim - para além dos RX, receitou-me comprimidos e uma injecção diária que era de ir aos arames. O líquido, mais ou menos da cor de jeropiga, quando entrava pareciam vidros. Ainda por cima o bruto do cabo enfermeiro, lá porque era pegador de touros, não fazia carinhos nenhuns. Fiquei com tanta raiva ao homem que só não veio da varanda abaixo porque não tinha cabedal para ele. Consegui ao fim de poucos dias que as injecções fossem substituídas por comprimidos. Passei a tomar 16 diários, aumentados às quintas-feiras com o quinino e as vitaminas. (…) 


(...) A enfermaria estava localizada num ponto estratégico. Permitia-nos ver o heliporto e a chegada de evacuados. Certo dia lá chegou mais um heli e descarregou um barbudo. Dissemos para nós mais um fuza que se f..d... Mais tarde viemos a saber que era um cubano mercenário, o Capitão Peralta. O Hospital ficou cheio de comandos e o homem ficou num quarto com sentinelas à porta. Esta foto correu mundo e já foi identificada. (...)

(…)Voltando às minhas doenças, os pulmões estavam um pouco estragados por uma bronquite crónica e não só por causa do clima. O Dr. Maximino recomendou-me deixar de fumar, ou no pior dos casos fumar charuto. Não havia charutos mas as célebres Tiparillos, que passei a fumar. Depois novamente no mato não me estava a ver a andar com a cigarrilha na boca à Fidel, embora as comprasse no Bar de Catió e abusei delas uns bons tempos ainda. 
Estava por resolver o caso do meu estômago, que depois de tomar a horrível papa, foi-me diagnosticada uma gastrite aguda. 

(…) Lembrava-me do meu pessoal de quem estava afastado há 3 meses. Como era o único sargento e responsável pelo pelotão (o Oliveira aos 16 meses foi fazer um curso de artilharia em troca comigo e só o voltei a ver próximo do dia do embarque em Abril) tinha a obrigação de tratar das burocracias. Sempre eram mais de 30 homens e tinha um mês para isso. Os meus palpites não bateram certo, mas isso são outras estórias. O médico, contrariado, notei, deu-me alta e muitos conselhos. Não me chamou burro mas subentendi. Enfim, médicos... Aguardei no hospital que houvesse transporte aéreo para Catió, o que aconteceu no dia 4 de Dezembro, dia de Santa Bárbara e da Artilharia. A minha rapaziada recebeu-me com carinho e à espera de matar a sede, que a água da bolanha andava muito salgada. Mas vamos à vida que o próximo barco é o nosso. (...)

Ao Doutor Maximino envio-lhe um abraço. Sei que não usa computador, mas alguém o fará por mim.

terça-feira, 15 de abril de 2014

61 - A Bochecha de Boi

Sábado passado, num almoço com ex-camaradas no Choupal dos Melros, em Fânzeres, Gondomar, o prato principal foi Bochecha de Boi assada.
Lembrei-me então de um episódio da minha vida de vaguemestre (ou vagomestre), por acaso e obrigado, durante o meu período militar na Guiné, mais concretamente em Catió e que durou cerca de 4 meses.Já lá vão 45 anos. Para quem não sabe, este ofício determina, no Exército Português, o responsável pela alimentação de uma unidade militar. Em França é o Carteiro, que distribui a correspondência aos militares. Para o caso não interessa nada e prossigamos.
Não interessam agora as razões porque me foi imposto o lugar e serviço. Já estão por aí divulgadas. Então aqui vai a razão das minhas recordações.
Estamos em Dezembro (68) e num sábado estava a jogar à bola quando apareceu esbaforido a chamar-me um dos rapazes do "Rancho" que tinha de ir já ao Refeitório. Não era a hora do Rancho, portanto não poderia haver nenhum levantamento. Para a refeição da noite era ainda cedo, estava tudo controlado. Perguntei ao moço - não me lembro quem foi - qual o motivo do alarme. Está ali um preto com uma vaca para vender, disse ele. Pensei para mim, mau maria, não é bom sinal. É roubada, pois nunca tinha visto uma vaca na zona operacional de Catió. E eram famosos os roubos dos Balantas, Sem desprimor para as outras etnias.
Cá vai a informação (para os amigos ex-camaradas que não se lembrem ou não sabem e para os que desconhecem o que foi aquela vida, em Catió), a população era-nos hostil.  (Alô pessoal da 1913 e da 2865, confirmam ?). Mesmo para conseguirmos comprar uma frango era preciso uma boa relação com alguém.
Adiante. Lá fui ver a vaca. Eu sei o que é uma vaca, sempre soube, claro, mas aquele bicho mais parecia uma carga de ossos a fingir de vaca. Já agora não sei se era vaca ou boi.
É certo que a memória é difícil de recuperar 45 anos, mas lembro-me que estava todo de pé atrás a olhar para o moço - que já não o era - que se dizia dono da vaca. Como a trouxeste, tem corda ? Está aqui furriel. És o dono verdadeiro ou roubaste-a ? Lógicamente que não ia dizer que a roubou. De onde vens e onde guardavas a vaca ? Não me lembro sequer da resposta. Mas o homem deveria ter os papeis de identificação e permanência (sei lá, mas imagino) em ordem. Mas deve ter vindo pela bolanha e não pela vila.
Para a rapaziada era uma festa ver a vaca no refeitório. Já lhe tinham ido buscar capim e água. A vaca (ou boi) estava serena/o a mastigar e eu ali a pensar o que deveria fazer. Compra furriel, era a voz d'ordem. Bom, quanto custa a vaca ? 2.000 pesos. Eu a olhar para o bicho e a pensar quantas refeições daria e a como saíria cada uma. E onde vou guardar o bicho se não tenho frigoríficos. Não quero a vaca, pensei, mas o cozinheiro chefe pensou por mim e disse: Ofereça 1.500 pesos e vamos aos frigoríficos das messes e do rancho, compramos gelo fazemos frio e a vaca vai dar 3 refeições.
Acertado o preço com o vaqueiro, fui acordar o primeiro sargento para lhe pedir o dinheiro. O senhor Luz, mais conhecido com o pica-estradas. Só por causa do nariz, porque nunca deve ter posto o pé fora do portão em toda a comissão. O homem deitou-me uns olhos de raiva por ir acordá-lo da sua
sesta e pior ainda, por lhe ir pedir dinheiro.
Lá comprei a vaca, foi logo morta para evitar problemas com o possível dono, mandei chamar o médico que por acaso estava em Catió para lhe ver as entranhas, estava tudo bem, menos o fígado que estava cheio de bichinhos mas isso não era grave para a saúde dos militares desde que não fosse confeccionado.
Para os interessados e antes de chegar ao ponto, devo dizer que a vaca, incluindo a cabeça, (cá esta a bochecha) os miúdos aproveitáveis, os pés (chamados de mão de vaca, uma delícia gastronómica pelo menos aqui no Norte) mais a sua carcaça pesava menos de 90 Kg. O que saía o Kg a 17 pesos mais ou menos. Essas contas nunca me saíram da cabeça.
Carne fresca tem de ser repartida. Fiz as contas à totalidade dos militares na base, dava salvo erro 17 kg para os sargentos e 6 para os oficiais. Tudo na proporção. Mas não poderia ser só a carne, tinham de levar ossos também.
Aqui chegados começou a confusão. Iria vender a carne a 19 pesos. Quem quer quer, quem não quiser que deixe que os rapazes agradecem. Chamei os vagomestres da messe dos oficiais e dos sargentos para saber o que queriam. O dos sargentos era o Picota Dias, que deve estar lá para Águeda. Só pensava em dinheiro para o bolso dele, claro. Não quis carne nenhuma aquele preço. Perdia-a dinheiro. Ainda lhe disse, estás a dar uma messe de m.... aos gajos, só estás mamar, dá-lhes um consolo e eles ficam felizes. Eu quero que eles se fod.... Palavras directas do Dias.
O senhor Alferes da messe dos oficiais - sei quem era, não me lembro do nome e se não estou em erro trabalhava na Oliva ou na Eduardo Ferreirinha. Encontrei-me com ele anos mais tarde por motivos profissionais e creio que também num dos almoço da CCS/BART1913 - queria carne para dar uma refeição de bifes e uma segunda de qualquer coisa. Ó Alferes, espere aí, não vou ,mandar cortar carne para bifes para os senhores oficiais. Vai a eito e é o que der. E você resolva lá na sua cozinha.
Teixeira prá aqui e prá li, pois senhor alferes, se eu quiser comer um bife vou ao Taras Buba que é só sair a porta d'armas, trinco a carne que ele vai buscar não sei aonde, fecho os olhos e finjo que é bife. Pago 20 pesos e está feito.
Creio que o homem se chamava - e se for verdade espero que ainda se chame - Silva, saiu chateado e lá fui eu chamado ao comandante Cardoso. E o bicho vaca ou boi à espera de ser cortado, ali pendurado no refeitório, os abutres já sobrevoavam o quartel.
Disse-me o Comandante, Teixeira sabe do nosso problema alimentar, porque não distribui a carne ao Alferes ? Meu comandante, não neguei a distribuição, o que neguei foram uns quilos de bife. Imagine, meu comandante, se a rapaziada sabe que mandei para a messe de oficiais carne para bifes ? O que eles iriam fazer, um novo levantamento de rancho ? E os sargentos ?
Pode retirar-se disse-me o Comandante Cardoso.
Ao final do dia, levei um bife ao Comando. Não sei o que o homem lhe fez, mas a bandeja da apresentação da refeição regressou vazia.
A cabeça da vaca, mais concretamente as suas bochechas, com o resto dos miúdos deu uma refeição de feijoada. Dei mais duas refeições de carne, talvez tenham sido uma com esparguete e outro uma jardineira. Claro que entravam os chouriços juntamente, para encher. Não me lembro, mas não devo ter muitas dúvidas sobre isso.
Os sargentos ficaram furiosos com o Dias. Os oficiais não faço ideia como ficaram. Nem o meu, o Xarez, conversou nadinha comigo. Aliás já era normal.
Passados uns dias, apareceu um indivíduo com o cipaio, a reclamar uma vaca roubada que foi dada à tropa. Não me lembro como ficou a situação.

A bochecha de vaca - ou boi - que me fez recordar esta história.
Na ponta esquerda, eu no tempo em que era vago ou vaguemestre. Junto a mim, o "gajo" que me orientava o serviço. Era o cabo rancheiro. Espero que ainda esteja por cá. Ajudou-me muito pois eu não percebia nada daquilo. Mas só sei que não tinha de me preocupar. E tinha imensas horas livres e o jipe à disposição.
Dois bons camaradas me ajudaram nesse tempo. Ambos condutores. Um creio que é o gerente dos Armazéns Peixoto - Gondomar e Valongo -. O outro trabalhou na Pacence.
A foto foi num dia de futebol, provàvelmente um norte-sul em que não alinhei.



sábado, 21 de dezembro de 2013

60 - O Natal é...

... É... fiquei suspenso ao escrever o título. Tudo por causa deste Português malvado - escrito, falado, desumano  -  que para tudo tem sempre duas caras ou duas opiniões ou duas fórmulas ou duas... sei lá. Para o caso não interessa nada e queria apenas expressar... em quanto eu puder. Na dúvida fui ao dicionário e está correto. Puder, em termos de futuro, incerteza. Amanhá não sei se puderei beber um copo a fingir que é Natal. Mas também posso e devo escrever Amanhã poderei dar-te um abraço, de certeza.
Entendem os meus amigos onde quero chegar, mas para simplificar deixo apenas a minha intenção pessoal, copiada da célebre frase O Natal é sempre quando o homem quiser, que só aparece nestes dias escrita e falada em tudo que é organização, publicidade, medias, humanistas disfarçados de governantes e os seus agentes:
Natal é enquanto eu puder levantar-me sem ajudas, ver os dedos dos pés a mexer e fazer normalmente o xixi matinal. É sinal que vou agarrar uma loirinha lá para o meio da tarde se tudo correr nos conformes.

Espero que gostem desta galeria de fotos. Uma ou outra batota apenas se refere à data da sua obtenção. Que não andou longe destes últimos dias.  










































Quero que os meus amigos, amigas, leitores e leitoras sintam sempre como eu o prazer de ter um Natal todos os dias. Com todos os sentidos operacionais. Prontos, é isso, nada complicado.

Fotos obtidas no Mercado do Bolhão e em lojas de comércio tradicional da minha Cidade do Porto.

Beijinhos e abraços e muito azevinho é o que vos desejo com carinho e amizade.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Miminhos em Dia de Melros

Quem tem amigos nunca padece na Cadeia.
É velho o ditado mas é sempre bom recordá-lo, até porque nunca se sabe o dia de manhã. 
Vem ele ao caso, porque no passado dia 21, no Dia Especial dos Melros, uns amigos resolveram ofertar-me uns miminhos.

1º Miminho: Neste dia e como manda a tradição, devem-se comer Tripas - ou feijoada tanto faz  - e o Porco de churrasco. A organização desleixou-se e não adiantou relembrar a tradição.
Tentando uma corrupçãozita das pequeninas para evitar barulhos, alembrou-se a dita organização de me ofertar um mini-pratinho de Tripas.
As lembranças sensibilizam-nos mas a corrupçãozita alastra-se e todos querem comer. Ou não estivessemos em Gondomar.
Quando o saco não é rigorosamente dividido, pode advir uma grande desgraça, tipo guerras de feijão, mais comummente chamadas do Gás.   
Pois quando é mais do que um a querer comer do mesmo saco, a guerra vai por aí fora, os vizinhos vão atrás do mesmo e lá vai disto.
Deve ter sido essa a ideia da organização, fazer alastrar uma guerra. Embora tenham dito que foi um miminho, a intenção deve ter sido outra.
Distraindo os conto-dentes com um prato de feijão (com a mentira me enganas embora tivessem sido recolhidas provas substanciais), a verdade é que um princípio de escaramuça séria do tipo Invasão do Iraque - ou da Síria, tanto faz - ia acontecendo ao prato dos ditos.   
Apontam-se culpados, mas não houve nenhum que se acusasse. Nem o JTeix45 - Jotex para alguns - nem o M. Cibrão, nem o Zé Catió, nem o, o, esse... Quando chegou a CNN a escaramuça tinha acabado. 
E tudo por causa do Súcio. Para comer insossegado um prato de feijão que era para ser um miminho tipo corrupção-menor, mais valia a lembrança corruptiva ser distribuída equitativamente por todos os corruptos. Quer dizer, os Melros. 
A tradição mantinha-se, não havia guerra, e todos ficavam satisfeitos. 
Por causa do Fernando Súcio, exactamente, a mediação da paz. E que manteve a segurança em alerta máxima em quanto os feijões eram evacuados a correr. Por isso a CNN levou niqueles da guerra.
Conclusão: Para que a história deste miminho fosse devidamente registada, eu, o invadido e mais o mini-prato de Tripas, pediu aos vizinhos assaltantes que pegassem nas baterias fotográficas para repetir as imagens do assalto e assim todo mundo ficará a saber como foi. Menos a CNN.

Fotos do Presidente Jotex, Súcio, Guimarães e creio que também do Tonho Vilela. Houve mais um ou outro baterista que não conseguiu soltar o som. Os canhões devem ter-se avariado.
Como se verificou posteriormente com provas concludentes, o suborno deveria ter ser distribuído por muitos mais evitando-se assim a Guerra das Tripas, conforme ficou a ser conhecido para a posteridade este miminho.

2º Miminho: O Bateira tem o hábito longínquo de nos trazer uns miminhos. Desta vez foi meia garrafa de sumo de tomate com uma beberagem mixurdada na Madeira a qual serve para enfrascar o Alberto João e que sai botada em discursos soluçáveis sublinhados com acenos de bandeirinhas. Mesmo que não compreendam nada, de Poncha sabem eles, e muito especialmente os de Câmara de Lobos. E de Lapas também, mas isso agora não é para aqui chamado.  
Pois, o Bateira, - o único de Cabelo branco, de Bigode e com óculos do primeiro plano da foto, (não confundir com o Neca Quelhas que já tem óculos para as parecenças e por isso foram camaradas do mesmo pelotão)  mimoseou-me com o frasco de tomate meio de Poncha. Que coloquei ao alcance dos Melros e não só, todos sequiosos.
Mas todos se interrogavam o que era aquilo. Várias sugestões surgiram desde xixi para análise de um moribundo até sopa de dieta. Pois esses Melros e não só, pensavam que me faziam uma grande desfeita bebericando e esgotando o remédio. Ficaram felizes e até diziam com um ar de gozo malandro, que belo uisque... (Carlos Silva, dixit). Neste momento ainda não sei se se encontram todos de boa saúde...Ós pois bê-se...

3º Miminho e o mais miminho de todos.
O querido amigo Avintense Antero Santos, na foto à direita a olhar-me desconfiado por cima do Bombeiro Chefe Martins (outro querido amigo que já deve ser desaprendido de tocar a viola e cantar o fado depois destes meses de trabalho), teve a gentileza de me trazer da sua terra uma das famosas Broas de Avintes, fabricada e cozida à moda antiga.
Acontece que os morcões foram pôr a mão na saquinho e saíram queimados, porque ela - a Broa - ainda vinha quente, parecendo que tinha acabado de sair do forno.
Desiludidos deixaram-me em paz e à broa.
Mas não tive coragem de desaboletar e trazer a dita comigo.
Como alguns ficaram por ali  a deitar conversa fora, e é disso que a rapaziada gosta, mandamos preparar um pratinho de presunto, enfiamos umas biéres e lá foi a broa, devidamente repartida.

Com a ajuda da minha amiga Carminho autora da montagem, deixo uma foto matinal da rapaziada enquanto ía formando. O nosso Ninho já está encartazado. A minha forma de agradecer e retribuir os Miminhos com que me mimaram. E deixar um abraço a todos os camaradas, daqui e d'além mar. Menos ao Valentim. 

Um dia virá a História do Feijão desenvolvida como deve ser pelo escritor de serviço o Zé de Catió.