quinta-feira, 24 de junho de 2010

Carta ao Victor

Querido amigo e camarada
Encontraste-me ao fim de 36 anos porque viste um escrito meu e a foto de uma menina que ambos conhecemos em África, lá no fundo da Guiné, em Catió, filha dos nossos saudosos amigos Barrinhos.
A partir dessa altura, conversamos muito e acabamos por nos rever pessoalmente em Maio de 2007. De muita coisa falámos, procurámos gentes, que gentes procuravam. Conseguimos pistas, trocámos contactos, enfim, andamos por aí.
Quando comecei a ter tempo para descobrir a fundo o meu Porto, foste dos primeiros a ver as minhas fotos, que elogiaste. Disse-te que havia coisas que não conseguia, por mais que tentasse, fazer bem. Uma delas era a foto da casa nº 4 da Rua de S. Miguel, forrada com azulejos do séc. XVII que saíram do Convento de S. Bento. Disseste-me que um dia haveria de o conseguir.
Esta casa bem fotografada tornou-se como uma espécie de obsessão. De dia ou de noite, nunca consegui fazer obra asseada. E mandava-te as fotos para veres. Dizias sempre, tem calma, um dia consegues.
Em 14 de Maio, dia da visita do Papa à minha cidade, fui para a Vitória fazer as "Fernandinas" e obriguei-me a ir fotografar a casa. Pensei para mim: É hoje Victor. Mas não tive coragem para te enviar as fotos. Dias antes tinhas escrito aos teus amigos para seleccionarem os emails que te enviassem. Falamos sobre isso e eu retraí-me.

Ainda não consegui a tal foto. Mas continuarei a tentar e quero que saibas, querido amigo, que no momento de disparar estarei a pensar em ti.
Até qualquer dia, Victor.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Presidente da República que temos

Fiquei surpreso pelas declarações proferidas pelo Presidente da República Checa aquando da visita que o nosso Presidente Cavaco Silva recentemente fez aquele país. Entre a surpresa, o choque e o regresso à "normalidade", perguntei-me se era possível, em diplomacia, durante uma visita de estado, proferirem-se tais afirmações sobre um País, neste caso o nosso, relativo às contas públicas.
Ditas e reafirmadas, pois duas vezes o senhor Presidente Checo o fez e ainda por cima em tom jocoso. Do mais ordinário que já vi e li. Tratando-se de um encontro entre Chefes de Estado durante uma visita oficial - e nem que o não fosse - mostrou o anfitrião as suas origens de servidor (?) de um ex-estado totalitário arrogante, do pior que o mundo já sentiu e que a democracia não limou.
Mas o meu choque foi ampliado ao ouvir a "labreguice" do nosso Presidente da República, declarando coisas sem nexo, como se aquela afronta do desmiolado senhor checo não nos atingisse como Portugueses.
Fico com vergonha deste nosso presidente que não soube responder, mas pior que tudo, fingiu que não estava lá.
É este servidor que temos. Seja qualquer for a crise ele não sabe, não vê, não ouve. Não merece ser o Presidente de todos os Portugueses. Não é sequer um político. E nem homem deve ser. Esses têm-nos no sítio e sabem dar um murro quando é preciso. Eanes, Soares ou Sampaio saberiam o que dizer e como agir.
Está em curso a campanha do nariz vermelho. Dêem um ao sr. Cavaco para a campanha dele. Mas digam-lhe como o usar, pois ele pode pensar que é para utilizar como preservativo mas no sítio errado.

domingo, 25 de abril de 2010

As Gatas do Álvaro

O Álvaro é um companheiro com quem criei fortes laços de amizade, desde que nos conhecemos em Abril/Maio do ano de 70 do século passado. Tem por alcunha o Brasileiro, porque viveu e trabalhou 16 anos no Brasil.
Acompanhou o meu crescimento fotográfico, fez-me muita companhia nas andanças atrás de "bonecos" e a reportagem que fiz sobre a Igreja dos Clérigos deixou-nos boas recordações e risotas. Mas houve mais, como a da Casa do Infante.
Claro que não só de fotografia vive o homem, e então eram frequentes as nossas paragens pela Tininha do Mercado de Gaia, pelo Louro, pela Casa das Iscas (a Viúva) da Ribeira, pelo Quim, pela Império, pelo Os Compadres, etc. etc.
Nos 1ºs de Maio lá estávamos para uma bela passeata e melhores almoçaradas. Na Noite dos velhos tempos também fomos companheiros de grandes sessões fadistas.

A partir de determinada altura, o Álvaro fugia cedo, com a desculpa que tinha de ir tratar das "Minhas Gatas". Deixava-me intrigado, mas aceitava, que remédio.
Mais tarde vim a saber que, sim senhor, realmente existiam gatas na história. Gatas mesmo, das peludinhas, de quatro patas.
Continuamo-nos a encontrar, mas infelizmente muito menos e em casa dele.
E finalmente descobri o "mistério" das Gatas.
O Álvaro tinha um tio, do qual era a única pessoa de família. Por isso olhava pelo velhote. Que entretanto faleceu. Foram encontradas no quintal da sua casa, 3 gatas pequeninas, sem mãe, e que o Álvaro não teve coragem de deixar para lá. Então adoptou-as, levando-as para a sua casa.

São as donas da casa mas têm as suas obrigações.
Naquela altura, do início da história, o Álvaro vinha realmente para casa para tratar das bichas.
Tive ocasião de as fotografar agora. Mas há uma mais arisca que não gosta de fazer parte fotogràficamente da história. É totalmente diferente das manas. Listada de cinzentos-esverdeados-pretos, é também uma bonita virgem.
Agora só falta o Álvaro poder sair de casa para continuarmos as nossas andanças interrompidas.
E já não precisa de ter cuidados com as suas queridas gatas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O Regresso - 8/9 de Abril 1970

A esta hora, há 40 anos, via de novo as luzes de Portugal Continental, ou da Metrópole, como se queira. Ao largo de Lisboa, esperava ansioso a hora, que seria no dia seguinte, de descer as escadas daquele barco que me levou e me trouxe. Queria uma nova vida e esquecer os três anos passados e mais ainda os últimos dois. Era a hora do chegada. Não queria mais lembrar África, nem a Guiné. Não queria mais aquelas roupas, que fui obrigado a usar e que obrigatòriamente comprei com o meu dinheiro.Queria que aquele cheiro saísse do meu corpo, não mais lembrar os sítios por onde passei, esquecer que usei uma arma; afastei-me dos homens que estiveram ao meu lado. Fingi que não vi feridos nem mortos.Tudo em vão. Passados estes anos, lembro as chuvas e os tufões; os ataques, as emboscadas, os patrulhamentos, as colunas; a falta de comida e a luta por ela, contra a ganância dos oficiais e sargentos profissionais; a falta de munições e a falta de preparação militar e psíquica do pessoal.Relembro o Salvado, sepultado num cemitério de Setúbal. Lembro dos outros que foram evacuados, cujos nomes esqueci. Lembro dos que julguei mortos e o destino ressuscitou e quis que os viesse a encontrar vivos. Lembro das cartas que escrevi, quási sempre com uma foto:
Como vêm, queridos pais, queridos irmãos, querida namorada, estou bem. Isto é uma maravilha. Bebendo a minha cerveja fresquinha. Enquanto vos escrevo.

...Olhai, que bela paisagem, a foto é de um pequeno rio que tem um cais onde atracam os barcos que nos trazem de comer.

...Um arrozal em pleno desenvolvimento. Pena não poderem ver as belas cores.
Catió, tantos de tal...
...Aqui é o posto construído pelos meus rapazes. Tem uma vista linda sobre a bolanha.
Bolanha, como sabeis, é... etc e tal. Catió, 4 de Dezembro de 1969.

(Não convinha nada dizer que este posto-abrigo foi feito enquanto estive internado no HM) Lá vamos nós a passear pela estrada até Gandjola fazer um reabastecimento. Parece uma procissão.
O santo vai na Daimler, pelo sim pelo não.


...Queridos Pais: Hoje levei o meu pelotão até este caminho lindo, para uma foto de recordação. Para brincar à séria, o meu alferes tem um rádio que se ouve até no Porto se for preciso. E o cãozinho é um dos muitos que sempre nos acompanham.
(o que se tinha de inventar para em casa não se aperceberem de como era a vida)


...Outra paisagem linda.

Esqueci de referir na carta que foi deste local que tive o meu baptismo de fogo. 6 de Junho de 1968. 21 horas.
Mal se vê, mas ao fundo está Catió. Reconhecimento do local

E sempre uma carta para os amigos:

Lindas bajudas depois da pesca e banho.

Sempre a lembrança de um dia especial, que fazia doer o coração:

...Olha mãe, no dia dos seus anos. Que festa fizemos a comemorá-los . Catió 12 de Junho de 1968.

...Hoje fui com uns amigos visitar umas ruínas de uma antiga fábrica de descasque de arroz.
A coisa não foi bem assim. Estava eu de vague-mestre ao rancho, imposto claro, e andava à procura de comida. Claro que a população nos era hostil e não vendia nem um frango para 4, quanto mais uma vaca ou um porco, para 100

Detestavamos o governador (chefe de posto). E porquê ? Porque foi fazer queixinhas ao comando só porque lhe assaltamos a quinta onde produzia ananazes.
Mandaram-nos do comando não sei o que fazer. Saímos ao princípio da tarde e já era noite e a rapaziada estava cheia de fome. Estávamos lá no meio da quinta. Eramos piras, com menos de uma semana de Catió. Não nos deram de comer nem ração de combate. Julgávamos que aquilo era nosso. Que havíamos de fazer...
Mato é mato, seja do governador seja de quem for.

Por estas e por outras, afinal nunca mais esqueci a Guiné. O cheiro acho que ainda o tenho, as saudades também. E sinto mais que nunca as recordações daqueles homens com quem mais de perto convivi durante 2 anos.
Alguns, poucos, já encontrei. Mas quero mais.
Alguns camaradas que com mais assiduidade convivo ( O Teixeira, o Cancela, o Carvalho velho, e outros de que não me lembro agora ) viajantes como eu no mesmo barco e nas mesmas datas, foi a Tabanca de Matosinhos que nos fez reencontrar. E recordar esses tempos, embora nunca nos tivessemos conhecido nem no barco nem nas bolanhas da Guiné.

Outros vou tendo contactos aqui pela net ou pelo telefone. Até das Américas: Alô Tobias ...
Mas devem sentir como eu, sempre que passa uma data, uma certa nostalgia dos nossos vinte e poucos anos.
Um abraço para todos os camaradas .

terça-feira, 23 de março de 2010

Culinária - Receita do Chefe Mário

MEDALHÕES DE BORREGO CAMPESTRES
Ingredientes ( 4 Pessoas )
8 Medalhões de borrego
300 grs. de Batatinhas
200 grs. Cogumelos frescos
20 grs. Manteiga
0,5 dls. Azeite virgem
5 dls. Vinho tinto
16 Chalotas (cebolas pequenas)
q.b Sal marinho q.b Pimenta branca
1 Raminho de tomilho
1.º - Coza as batatinhas em água e sal. Depois de cozidas retire da água deixe secar e reserve.Tempere os medalhões de borrego com o sal e pimenta. Lave os cogumelos, deixe escorrer e depois enxugue-os com um pano de cozinha.
Leve ao lume uma frigideira com a manteiga e o azeite. Deixe aquecer e depois junte os medalhões. Deixe fritar, de ambos os lados, até ficarem ao seu gosto. Retire-os e mantenha-os quentes.
À gordura que ficou na frigideira, adicione as cebolinhas descascadas, os cogumelos. Deixe cozinhar até estes libertem todo o líquido.Em seguida, adicione o vinho tinto e tempere com sal, e pimenta e tomilho. Deixe cozinhar até o molho ficar cremoso.Pele as batatinhas e saltei-as em manteiga e azeite, até corarem.Disponha os medalhões, as cebolinhas, os cogumelos. e as batatinhas num prato de servir e regue tudo com o respectivo molho. Sirva decorado com tomilho. E é só comer, digo eu.

Só para amigos, aqui fica o link da página do meu ex-camarada e Grande Chefe Mário Pinto, com receitas deliciosas.

http://tachoalume.blogspot.com/


A não perder


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Recordações do passado, vividas no presente

Não posso precisar ao certo quando foram uma das grandes cheias do Rio Douro nas cidades do Porto e Gaia, que eu registei numa velha Agfa 6x9 do meu pai e cujo rolo dava para 8 ou 9 fotos. Já não lembro. Mas creio que foram no ano de 1963 ou 64. Em Fevereiro. Portanto há mais de 45 anos. Se estou enganado, que me corrijam. Se estou certo, agradeço que o façam, pois gostaria de registar a data correcta.
No interior dos Arcos da Ribeira, numa daquelas ruas de que nunca sei o nome, mas creio que é a dos Canastreiros, existe um comércio que à porta tem registadas todas as grandes cheias, com a data e a altura até onde chegaram as águas do Douro. Tenho no arquivo a foto, mas não consegui encontrá-la.
Pois bem, há uns dias, aproveitando uma acalmia no tempo que vem fustigando a cidade, resolvi refazer o trajecto que na altura presumo ter feito, para comparar como estão as duas margens do Douro. Aqui vos deixo os registos fotográficas das duas épocas, embora nas antigas estejam bem marcadas as cheias e noutras o Rio Douro quási normal. É que as barragens entretanto feitas, controlam as suas águas.
Um facto a reter: a velha Agfa tinha uma objectiva com um zoom bem curioso, fàcilmente notando-se as diferenças. Para os leigos da fotografia, essa máquina apenas regulava as distâncias, por exemplo: de 1,5 a 3 m; 5 a 7 m; infinito. E as aberturas da lente eram reguladas para sombra, sol encoberto, ou sol pleno. Isto em três símbolos. As fotos em papel foram digitalizadas pelo meu amigo Manuel Carmelita a partir das provas 6x9 cm. e lògicamente que perderam nitidez. Mas devo dizer que os originais são de uma nitidez muito grande, bem revelados e fixados, e que ao longo destes anos não perderam a sua qualidade no papel. Hoje temos as digitais, a cor, os photoshops (que não gosto de utilizar), embora faça algumas correcções a partir do Picasa2 ou da Galeria do Windows. Especialmente o "endireitar". Simples e barato.
Pois então vamos ao percurso que provàvelmente fiz na altura. Devo ter subido a Avenida da Ponte, conforme lhe chamávamos na altura, hoje é a Avenida Saraiva de Carvalho. Presumo eu que ainda assim se chama... Passei ao lado da Sé e entrei directamente no tabuleiro superior da Ponte Luíz I. A imagem é a da Avenida Gustavo Eiffel, com a Ponte D. Maria ao fundo. Na foto recente há umas ligeiras diferenças de local, pois o percurso não foi o mesmo, já que nos dias de hoje não tenho coragem de atravessar o tabuleiro. Por isso utilizei o metro e o funicular. Modernices... E nem mais um passo...Por baixo, os Guindais. Claro que há agora a Ponte do Infante a obstruir, visualmente, a de D. Maria. Mas ela ainda lá está e renovada desde há dias. E linda como sempre.

Já do lado de Gaia (ido de metro, claro), voltei-me para os Guindais e Fontaínhas. Lado direito da Ponte. Nos tempos antigos, não se vê a sombra do tabuleiro. Mas fiz a foto de tarde, isso tenho a certeza. E porque tenho a certeza ? Porque de manhã gostava muito da cama. Como ainda hoje. De qualquer forma podem-se notar as sombras, de poente para nascente.
Estas comparações também mostram que a cidade evoluiu em termos ambientais. Um dos muitos ribeiros que vinham desaguar ao rio com os esgotos, já não existem. As etares tratam do assunto.
Do outro lado, à esquerda da Ponte, logo abaixo do Jardim do Morro, vê-se comparativamente, como o Cais da Ribeira está submerso. E os batelões ainda aqui vinham fazer as suas descargas de mercadorias.
Lá do Jardim do Morro, o percurso para descer até ao início do Cais de Gaia teria duas hipóteses. Como hoje. Não sei qual adoptei na altura, mas agora desci pelo lado da Serra do Pilar, isto é, pela direita da Ponte.
A velha árvore lá está, aguentando todas as cheias e vendo a evolução do Cais, hoje um belo passeio pedestre, onde se pode comer ou apenas beber um copo, olhando o Porto em frente.
Voltando a atravessar o rio por baixo (nossa forma de expressão quando regressamos, ao Porto ou a Gaia, pelo tabuleiro inferior da Ponte Luíz I), uma foto mais próxima da Ribeira. Por Cima do Muro, estão ali casas novas, que nem eu sabia que existiam há 40 e muitos anos. Quer dizer, reconstruiu-se e modernizou-se (?) e muito bem, toda esta zona, onde até há um Hotel de 5 *****. Para além dos restaurantes e bares, também as tascas ainda lá estão, onde as célebres "iscas" da Ribeira não perderam a fama.
Já do lado do Porto e em cima das Escadas do Codeçal, volto a recordar a Gustavo Eiffel, partindo desde a Ponte D. Luíz até ao Freixo, mas agora passando por baixo de quatro pontes e não uma apenas conforme era naquele tempo.
Nota-se novamente o zoom da velha Agfa. Parece que a Capela do Senhor de Além estava logo ali.
Pela escarpa da Serra, vêm-se agora as inúmeras habitações, que de clandestinas passaram a legais. E a própria escarpa está também protegida. Polémicas para trás e para a frente, mas os inteligentes lá se entenderam. Espero eu, que para sempre, pois senão haverá tragédias.

















quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fui à Feira a Gondomar

Já tinha saudades de uma passeata por uma boa Feira, onde de tudo se vende. O tempo tem estado bom, de sol que não de frio, mas este não conta para baixar a moral.
Mas logo vejo uma beleza com a cabeçorra enfiada entre as grades. O bicho, ou bicha, quando me aproximei nem se mexia. Fiquei a pensar que não conseguia sair de lá. Toquei à campaínha para chamar a atenção dos patrões, mas ainda bem que ninguém atendeu. O animal salta-se de lá com um vozeirão próprio de cão macho (?), que se eu fosse homem de sustos, caía para o lado. Palavra vai, ladrar vem, combinamos uma pose para contar a estória. E para comparar a largura das grades com a sua excelentíssima cabeça, ele (ou ela) abriu só um pouquinho a boca num sorriso também para mostrar que estomatològicamente falando, anda bem tratado(a).
Recomposto, prosseguindo, vou dar ao Chafariz do Largo do Souto. Com o sol em contra-luz, fiz um boneco só para ver no que dava. Portuensemente falando, deveria dizer o que deu, mas poderia ferir susceptibilidades mais frágeis. Fica ao paladar de cada um (ou uma), achar o que acha.
Antes que esqueça. Francamente, agora tenho medo de escrever. Com o novo acordo ortográfico, onde se retiraram letrinhas a palavras, bem como acentos, já não sei o que deva usar para exprimir o meu pensamento. Mas se entretanto os meus queridos leitores e leitoras acharem por aí uns errositos é só avisar. É que o corrector (outra palavra complicada que não sei se leva o c ou não) ortográfico cá desta coisa, não funciona à maneira. Mas como se pode sempre editar, não há problema de maior.
Acompanhem-me então pela Feira.
E nada como um conjunto de belas cores a abrir. Com o magnífico tom de azul do céu em fundo (redundância, pois não há cor de céu vermelho nem verde) o contraste é flagrante. Lindíssimo.
Uma passagem para apreciar os últimos modelos na Boutique do Alex. É LOVE por todos os lados. Começamos logo a imaginar coisas que não ficam bem numa Feira.
Mas este modelo prendeu-me as atenções. Fiquei parado a admirá-lo e logo Madame Alex veio de lá com o seu belo sorriso, perguntar se me servia. Fiquei sem fala e arranquei a grande velocidade, mesmo sem me despedir com o característico beija-mão. Espero que Madame não tenha rogado alguma coisa que me faça tropeçar no próximo cruzamento.
Aqui sim, é o meu local preferido desde há uns anitos. Páro, olho, reolho (será que existe esta palavra ?), cheiro... Sai um quarto de presunto de Lamego, que tem um kg bem pesado e um queijinho da Serra, dos pequenos, com 800 grs. Tudo por 17,70 euros, mas para mim que sou cliente vá lá, fica pelos 17,50. Bem quis que ela, a loirinha, velha conhecida, deixasse pelos 17, mas não foi em cantigas. Tira lá a foto e põem-te a penantes. Dá de frosques.
Lá voltei para a confusão dos produtos de ocasião, que sim senhores, fazem uma bela montra colorida. E tudo a 3 euros. Meninas, é pegar e andar, a caixa é logo ali.
Um olhar pelas plantas de jardim, onde uma bela camélia dá um toque senhoril. Ou não fosse a flor Portuense por excelência. Quem o diz são os Alléns e eu acredito porque andam no meio delas e com elas ao colo, há quási dois séculos.
Por falar nisso, tenho-me esquecido de fotografar as minhas, que estão lindas e carregadas. Amanhã, que já é hoje, será dia para isso, pois agora não dá. Passa da meia-noite, hora do Porto.
Neste lindo viveiro, belos mimos estão a ser transaccionados (mais um c que não sei se ainda se usa). Canteiros graciosos, coloridos, vão florir em breve. Primavera à vista...
Reflectir (cá está o c ) é bom. Mais um boneco só para ver o que dá. Maluqueiras...
Um olhar descontraído à arquitectura (outro c) gondomarense. Quási simétrico este conjunto. Foi mesmo ao calhas, até porque o passeio destinado aos peões é tão pequenino na sua largura, que não dá para paragens prolongadas e acertar cor, profundidades, enquadramentos. Sabem a que me quero referir...
Já fim de tarde, com o frio a apertar, segui a Lua que estava a aparecer. Já está cheia. Amanhã vai poesar só para mim.
Ela aqui aprisionada. Mas soltou-se rápido e sem ajuda. É assim a Lua. E luar de Janeiro, não tem parceiro. Mas os invejosos dizem, mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto. Sabedorias populares, que se ensinavam não só em casa como também na escola dos nossos verdes anos.
A ver vamos.












sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nha Bolanha

Saudades
Vídeo do meu amigo Jorge Felix e dos seus tempos voadores

Douro Vinhateiro - She

A minha homenagem a essa bela terra que mal conheço e que é o Douro.
Com um abraço para o Zé Manel

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

8/9 de Janeiro - Fim de semana como deve ser

Fim de semana prometido sem chuva. E São Pedro cumpriu. Isto é o que considero um bom amigo. A sexta-feira foi só encoberta com umas nuvens mixurucas que o Bando aproveitou para andar à solta. Do Cifrão para o Guedes, entre uma aguardente mais ou menos velha e uns copos de tinto de Lamego acompanhando um belo lombo assado, lá andei - andamos - pelas capelinhas, onde o frio de raxar esperava na rua. Nada que não se suportasse, principalmente depois do buxo quente. O sábado nasceu lindo, mas só o vi muito adiantado na manhã. Ainda deu para notar no meu mini-jardim uns resquícios de neve, coisa que é digna de registo. Meti pés ao caminho para ir ter com a camaradagem de outras guerras, que no Choupal esperavam o toque do rancho.
Mas dá sempre tempo para uma paragem e ver como as obras do Metro do ramal de Gondomar andam. Daqui a um ano, dará para um filme complexo e abstracto realizado pelo Manuel Oliveira e que servirá para comemorar os 102 anos do autor. Por falar no homem, há dias cruzei-me com ele entre o Bonjardim e a Praça D. João I e o safado não trazia a bengala e corria para atravessar a rua no sentido da Caixa Geral de Depósitos,trazeiras. (ou seria no sentido do Rivoli ?) Bom, mas para o caso não interessa nada. Só eu sei porque não corro, mas ele sabe porque corre...
Seguindo,

Em frente do local de encontro, o tal Choupal que agora também é dos Melros, fui espreitar uma ribeira que corre emparedada entre a rua e os campos. No verão tem água, e no inverno também, como é lógico. Mas derivado à agua que tem caído desses céus - Dezembro foi o mês mais chuvoso dos últimos 100 anos, segundo rezam as crónicas - julguei que traria mais. Nada de especial.

Porque houve mais melros do que o previsto, o "tacho" demorou um pouquinho, para mudança de poiso. Nada que atrapalhasse este pessoal, já habituado de há mangas de chuvas a esperar... Mas isso são outras estórias da história Pátria. De que muitos falam mas da qual pouco sabem.

Aproveitou-se para esticar as pernas e apanhar um sol que estava magnífico. E andar pela quinta, que mesmo neste tempo tem o seu encanto
Os choupos estão de folha caída, mas lá para o verão, verão como a coisa muda. Prometo uma reportagem em grande. Espero que o Gil contribua com algum, pois não sou de capinar sentado. Mas isso serão contas de outro rosário.

Entrando na bela sala, onde uma lareira "medieval" tem uns tronquitos a arder, o suficiente para aquecer q.b (quanto baste, sigla dos mestres cucas), fico por ali a rever os camaradas, uns já velhos de tantas guerras, outros ainda com a plumagem a mostrar-se.
A sala é bonita mesmo, toda em pedra, adaptada das antigas instalações da quinta. Aliás sucede assim por toda a herdade. O convívio torna-se agradável, a conversa amena, talvez aqui e ali recordando-se passados que doeram e ninguem quer esquecer. Em primeiro plano o Martins velho e o Carlos Costa, artistas do Fado, este último prisioneiro na Índia, mas com grandes estórias que nos deleita quando as conta.

As petisqueiras foram-se sucedendo e nada como umas boas tripas como prato forte. Não serão à moda antiga, quando a plebe portuense doou toda a carne para as frotas do Infante D. Henrique e apenas ficou com as vísceras. Agora são prato de rei, incluindo presunto, frango, diversas e saborosas qualidades de chouriços e claro, uns feijões brancos porque o pessoal nunca se habituou só à carne. Para um cheirinho especial, a salsa e uns cominhos são indispensáveis. E um belo arroz dourado nunca se despresa.
Acontece que a seguir tive dois convites. Um concerto em Grijó pelo grupo de fados de Coimbra, dos meus amigos David Guimarães e Carlos Costa, e um outro para o retiro do Restaurante S. João, onde o Fado Amador, ou Vadio, é rei. Aceitei este último, porque bem mais próximo de casa, porque o frio me assusta, porque, porque...

...Porque aconteceu os Manos Martins me terem entusiasmado. O tempo é por demais bem empregue. E um bom Fado de Coimbra é sempre ouvido com prazer. Tive o gosto de conhecer o José de Castro, bela voz. E que maluqueira me deu... Liguei o telemóvel para o David e pu-lo a escutar o José. Logo recebi a resposta, traz o contacto. Quando se chega a uma certa idade, parece que voltamos a meninos.
Vários e várias artistas cantaram e bem o fado tradicional. Há quem o chame de Lisboa, mas para mim o Fado é Fado.
Mas houve algo que me fez ficar alerta, como no tempo em que ouvia um trovejar e ficava a contar os segundos até à explosão. Soou-me o nome do camarigo Mexia Alves e há que averiguar o porquê. Apenas e só, porque o seu Fado Montemor de Praça Cheia estava em disputa. Pena que não fosse cantado, vá lá eu saber o porquê. Mas o meu amigo pode ter a certeza, mesmo tendo o seu fado sido "roubado" por profissionais, aqui no Porto, ou melhor dizendo, em Gondomar, é sentido e conhecido por esta malta do Vadio.

Tenho de apresentar os meus ex-camaradas, os Martins. O mais novo, cantor e de bela voz, foi para a Guiné já eu tinha regressado há muito. O mais velho, o guitarrista (primeiro da esquerda), aconteceu precisamente o contrário. Curioso, ambos são Bombeiros, o mais velho de Gondomar e o mais novo de S. Pedro da Cova. Coisas da vida.

Para a noite acabar em beleza, o grupo da Lagoa veio cantar as Janeiras. Que mais podemos desejar depois de belos convívios, óptimas comidas e bons fados ? Apenas noites de bom sono. Foi o que aconteceu comigo no fim de semana passado. Com a temperatura a menos de 3 graus.
Amanhã há mais. Tabanca de Matosinhos, Bando do Café Progresso e o que mais se verá.

















quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Divagando

Hoje, que foi ontem, andei por matos de comezainas, como me é normal às quartas-feiras.
Chuva de manhã�, muito cinzento à tarde.
Nos para lá e para cá, há sempre qualquer coisita no caminho que chama a atenção. Foto feita, lembrança para um amigo. que vamos descobrindo atravez de letras seguidas, sem sabermos se chegam ao destino, pois um apagão pode destruir meia dúzia de minutos de boa prosa escrita.
Acho que ando a escrever num estilo esquisito, que não deveria ser o meu. Tento corrigir, mas por vezes já nem dou fé. A culpa deve ser da aculturação, palavrão que não sei o que é, mas ouço muito por aí.
Quer dizer que as minhas cumplicidades maiores são duas: Nesta coisa de net, o Brasil é maioral, com as suas diferentes misturas linguísticas, mas doces, fraternas, que me levam a mudar gramaticalmente o português perfeito.
A outra, é a vivência permanente com ex-camaradas, que após tantos anos, ainda não esquecemos a tropa, nem África, nem a solidão, onde as palavras e suas definições não contavam para nada. Essa rusticidade linguística ainda hoje é nossa. Nem sabemos o que "dizemos" mas sabemos o que queremos dizer. E entendemo-nos.
Um dia destes, alguém tomava apontamentos no meio de uma confusão verbal. Disse-me que estava a criar um pequeno prontuário da "Linguagem do homem que foi militar em África. 40 anos o após". Lindo.
Como provàvelmente diriam o Eça ou o Camilo, se tivessem permanecido uma semana no Brasil, a prosa é boa mas está longa. (Onde já ouvi isto ?)

Porto. Avenida Rodrigues de Freitas e as suas árvores. Soberbas no verão. Parecem tristes no Inverno. Mas é engano. Estão a recuperar.


Uma montra de florista. Um gracinha

domingo, 15 de novembro de 2009

11 de Novembro - S. Martinho

Domingo tempestuoso, bom para ficar em casa e recordar a semana. Então há que recuar até ao Dia de S. Martinho e lembrar os belos momentos de confraternizão passados junto a amigos, na companhia de deliciosas castanhas e de um bom vinho. Para que a tradição nao se perca. Coisa de velhos

A parte da tarde começou no Café Progresso, onde pacientemente esperamos que algum ex-camarada dos nossos velhos tempos militares, das Caldas até à Guiné, apareça. Reunião habitual em todas as segundas terças-feiras de cada mês. As castanhas vieram camufladas da Tabanca de Matosinhos, local de encontro de outros ex-camaradas, mas aqui todas as quartas-feiras.

Seguiu-se depois o trajecto por outras picadas e fomos dar ao Rei dos Cachorros, não só para matar os desejos do Moreira como para manter a tradição da visita às capelinhas. As capelinhas já não são o que eram, mas para o efeito serviu. Por esta altura o Dias já tinha desertado. Mas paciência. Lá mais para a frente, seguimos em romagem até ao Abreu, que nos deu a provar um tinto verde novo, que daqui a dois meses deve ser de fazer cair para o lado. Não sem antes termos embutido uns pregos especiais, desejos do Bioxene, que isto de comer só castanhas não enche a mula.A noite estava quási no fim, e para a posteridade fica registado que estávamos todos lúcidos e nada etílicos, salvo seja.As fotos n�o entraram na ordem como deveria ser, coisa que não sei explicar o porquê, mas aqui começou o início do dia de S. Martinho. Na famosa sala do Milho-Rei, onde a Tabanca de Matosinhos confraterniza todas as quartas-feiras. Estavam 50 seguidores deste Santo tão geitoso de comes e bebes.

Por curiosidade apenas, aqui fica mostrada a obra-prima de um artista, complementada com uma aguardente velha de Vinho do Porto. Tudo obras de ex-camaradas. Para leiloar em breve.

E porque hoje é domingo sem futebol, vou beber uns púcaros não sem antes mandar esta cena para os amigos que estão todos chateados lá em casa sem ter nada que fazer.

Até breve. E não se esqueçam: S. Martinho é sempre que um homem - e mulher - quiserem

terça-feira, 3 de novembro de 2009

50 anos

Depende da maneira como quizermos ver as coisas. Ou foi h� muito tempo, ou parece que foi ontem. 50 anos s�o 50 anos. Quando entrei pela primeira vez no meu primeiro emprego. Tinha ainda 13 anos mas nesses tempos j� era considerado "grande" um jovem da minha idade. Foi a 3 de Novembro de h� 50 anos. Respondi pessoalmente a um an�ncio do Jornal de Not�cias �s 10 horas da manh� e fui admitido, tendo de me apresentar �s 14. Bendita a hora. Entrei para uma empresa que tinha "pouco" mais de 50 empregados. Fui tudo ali dentro. Carrej�o, servente, arquivista, dactil�grafo,respons�vel por expedi��es de mercadorias, respons�vel por pessoal - j� haviam mais de 70 empregados - adjunto, confidente de patr�es e de pessoal, desenrascador... at� aos meus 22 anos e pouco. A� parei e "fui" para a tropa e para �frica. Durante 3 anos. Quando regressei, em Abril de 1970, esgrouviado, intempestivo, malcriado, (em termos civis, porque militarmente eram normais), semi-analfabeto, l� estava o meu lugar. Acabei de me formar como homem e profissional nessa Empresa, uma das maiores do Pa�s e n�o s� no seu sector ( industria gr�fica e chamava-se Artistas Reunidos) e que chegou a ter mais de 250 trabalhadores. Acabei por sair da empresa ao fim de 19 anos para tentar outros voos. Era j� o n� 12 em antiguidade. Infelizmente a Empresa j� n�o existe, nem os seus saudosos fundadores - mais que patr�es, qu�si pais para mim - nem os seus dois mais directos colaboradores administrativos - mais colegas e professores do que chef�es -. As saudades s�o muitas dos "velhos" que conheci menino e que j� se foram: O Afonso que me intruduziu nos segredos da industria e da pesca; O Stockler que me ensinava psicologia; O Xico Bernardo que encadernava os meus livros e com quem passava horas a falar de escritores e de alguma pol�tica; O Sr. Rui desenhador, senhor j� com uma certa idade, o seu eterno la�o bem posto no pesco�o e colarinho da camisa, dava-me conselhos para tirar as espinhas - uma punheta bem feita, aproveir o l�quido e esfregar na cara, era rem�dio santo. O Ant�nio Sousa e as suas demonstra��es de como se imprimia numa maquina manual sem as m�o ficarem l�. O sr Bernardino, com quem partilhei entregas de encomendas nos recoveiros ali na Rua da Madeira, transportadas aos ombros ou �s costas; E quantas vezes no regresso carregamos novamente �s costas, desde o madeireiro da Travessa dos Congregados at� ao cimo da Rua do Almada, caixotes destinados aos A�ores e Madeira carregados de postais ilustrados para os turistas comprarem de recorda��o (Ah os grandes editores, senhores N�bregas e Perestrellos) . Mas logo al�, nos Congregados ou na rua da Madeira, o Sr. Bernmardino me pagava um copo e uma sande ou uma posta de s�vel. Mas tantos outros j� se foram, gente boa e grandes artistas a quem muito fiquei a dever. Felizmente ainda h� muitos por c�. E quem passou por essa Empresa nunca mais esqueceu. Nem os velhos patr�es, nem as suas filhas felizmente ainda vivas, nem a camaradagem dos bons e maus tempos, porque ou houve e n�o foram pequenos. Mas ficou a amizade e a minha lembran�a de quando mecei a trabalhar. H� precisamente 50 anos.

Conv�vio anual. Quem trabalhou e viveu naquela empresa nunca mais esquece.

O Senhor Fernando Silva, com 80 e muitos anos, foi o �ltimo trabalhador a sair da empresa. Ao lado, o Germano, o Brecas, que foi meu s�cio e � grande amigo. Muito me ensinaram n�o s� da vida como sobre a industria. Muitas lutas passamos juntos.

Mais de 100 ex colegas estivemos no �ltimo conv�vio em Junho. Tantas saudades