domingo, 22 de agosto de 2010

Viajar no tempo

35 - O Mosteiro e Quartel da Serra do Pilar - Vila Nova de Gaia

Hoje n�o tinha premeditado vir para este lado de Gaia. Mas as coisas acontecem e pensei que talvez acabasse por ter alguma sorte dando um salto at� � Serra do Pilar. S� para ver se o Mosteiro ou Convento estava aberto, coisa que nunca aconteceu das vezes que at� aqui vim. Ora como Monumento - n�o sei se Nacional - a quem o Estado Portugu�s larga grossas fatias do nosso dinheiro (segundo li) e estando n�s na �poca de turismo, seria l�gico que tal acontecesse. Engano puro. Mas passemos adiante. Vindo de S. Bento (quer dizer, da Pra�a Almeida Garrett) num autocarro que atravessa a Ponte do Infante, sa� qu�si � porta do RA5. Para os meus camaradas que por aqui passaram nos velhos tempos do chamado RAP2 a caminho de �frica (criado em 1939) um abra�o. Mas esta unidade foi primitivamente o Regimento de Artilharia do Porto, passando a RA n� 4 em 1806 e extinto em 1829. Teve muitos outras nomes desde que foi criado por Decreto da Rainha D. Maria II em 1835, por ter o Mosteiro da Serra do Pilar grande destaque como fortifica��o do Porto durante a Guerra Civil. Entre Penafiel e o Porto, mas no fundo quer dizer Gaia, v�rias unidades foram transferidas de l� para c� e vice-versa. Em 1975 passou a RASP e finalmente em 1993 � o actual RA5.
Mas eu vinha procurar o Mosteiro.
Temos de descer a rua ao longo do muro do Quartel cerca de 50 m e a placa n�o engana. Mosteiro da Serra do Pilar. Os panoramas j� eu os conhecia.
Dobrando a rua para Norte, nova placa encaminha-nos certeiramente.
A meio da cal�ada a vista da c�pula da "Nova" Igreja.
Atento ao que se passa, um elemento militar de servi�o � Bateria voltada para o Porto.
Uma raridade ao longo da cal�ada, estas flores obrigam-nos a olhar o Jardim do Morro.
E c� estamos n�s, no largo da Igreja, que tem nome pr�prio do qual n�o me lembro. Por ali ainda est�o sinais de palco e outras coisas, incluindo o fontan�rio "fechado" a pl�sticos, da �ltima romaria da Senhora do Pilar, efectuada no dia 15.
Mas tudo fechado, como nos primitivos tempos de 1140, onde foi fundado um mosteiro neste local em que as freiras seguiam a norma de reclusas emparedadas. Durou at� ao s�c. XIV quando deixou de haver freiras com esta voca��o. Tamb�m viver entre quatro paredes, mais tecto e ch�o, s� com um buraco para se lhes ser servida a refei��o... durante o resto das suas vidas.
Resta-nos apreciar o exterior e na foto � a Primitiva Igreja, ao lado da qual foi constru�da em 1598, a actual. A imagem de Nossa Senhora do Pilar foi colocada no altar-mor em 1678.
Outro pormenor da Igreja Primitiva.
Na Guerra Civil ou Lutas Liberais ou Guerra Fratricida, tanto faz, (D. Miguel x D. Pedro IV), durante o Cerco do Porto - 8 de Setembro de 1832 a 18 de Agosto de 1833 - a Igreja (a nova, tanto quanto me parece entender a escrita do autor) sofreu muitos danos. A� entram os homens bons devotos - de Gaia - que apresentaram � Rainha D. Maria II o projecto de uma Confraria, que foi aprovada em Setembro de 1844, ficando com o lindo nome de Real Irmandade de Nossa Senhora da Gl�ria do Pilar.
E em 1925 um Comiss�o de Amigos do Mosteiro conseguiu "n�o s� realizar muitas beneficia��es na Igreja com o restaurar o antigo Claustro do Convento constru�do em 1692, em forma redonda como a Igreja, �nico no Pa�s. Tamb�m foram restauradas v�rias depend�ncias do mosteiro que estavam em ru�nas, para guardar muitas raridades que nelas (nas ru�nas ?) estavam � sua guarda".
Agora vem a parte que nos toca a todos: "O Governo (ser� o Estado Portugu�s ? ser� mesmo o Governo ? neste caso, qual e quando ?) notando a beleza arquitect�nica da igreja e do mosteiro da serra do Pilar, incluiu-a no n�mero dos bens nacionais; e por isso tem despendido importantes quantias na repara��o de t�o magn�fico monumento religioso".
Esta e mais prosas podem ler-se em http://tvtel.pt/gaiserv/livro cale/pagina18.htm
Tive que fazer umas redu��es a essas prosas - que cheiram tanto a n�o sei qu� ...- assim como acertar alguns erros que por l� se l�m. Mas o importante � que tudo est� vedado ao olhar do simples turista, (ou de um curioso como eu) que de mapa na m�o, sobe aquela cal�ada para n�o ver o que os papeis tur�sticos dizem de mundos e fundos belos.
Mais um monumento que existe s� para prazer (ser� que o t�m ?) de alguns. E j� agora gostava de saber se as raridades ainda existem ou se sofreram desvios como tantas outras que aconteceram n�o s� no Porto como por todo o Portugal
Mas vamos saborear as vistas da Cidade do Porto que de l� se avistam. O que j� � muito bom, digo eu. Aqui � da Ribeira at� � Arr�bida.
Aqui, a velha Cal�ada da Corticeira, a que chamam agora Rua das Carqueijeiras. Talvez uma homenagem �s mulheres que subiam aquela Cal�ada, com molhos de Carqueija � cabe�a, para os muitos fornos da Cidade das mais variadas industrias. As Fonta�nhas est�o l� no alto.
Agora descemos mas a p�, pelas ruelas da Serra, Rua do Casino da Ponte, do Cabo Sim�o etc. e olhamos o belo rendilhado da Ponte Lu�z I.
J� do lado de c�, quer dizer do Porto, depois de atravessarmos a Ponte, uma �ltima panor�mica do Mosteiro (ou Convento) e Quartel da Serra do Pilar. Chamem-lhe os nomes que quizerem ao Regimento, mas � assim que perdurar� nos tempos.
Para descansar, nada como "pousar" no Mira Douro, mesmo no final do Muro da Ribeira. Bebe-se a cerveja mais barata de toda a Ribeira e Arredores. Os lanches e as refei��es, idem. N�o tenho descontos nem comiss�es; mas � paradeiro antigo desde o tempo em que tinha a mania de que era pescador.

3 comentários:

Teresa Cristina flordecaju disse...

Muito belo este lugar. Um prazer vir aqui. Beijo.

malu disse...

Não me canso de ver as imagens do Porto.
Lugar belíssimo!
Um abraço.
Malu.

Jorge Moreira disse...

Caro Blogueiro, o link referido: http://tvtel.pt/gaiserv/livro cale/pagina18.htm
Já não existe, porque a tvtel desligou o servidor sem avisar.
Agora está em http://gaiserv.com.sapo.pt

Um abrço